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sábado, 12 de junho de 2010

(Counter) Clockwise


Segundos, horas, minutos...
Se existe coisa na vida que eu sei que não consigo recuperar por muito que me esforce, é isto.
Nunca batalho contra o tempo, porque sei que perco.
Sempre que o tempo me dá um soco no estômago e me deixa de joelhos, o que eu faço é por-me em pé e de cabeça erguida continuar em frente. Porque "em frente" é o único caminho para vencer o tempo.
Quer a minha intenção seja manter uma situação presente, mudar completamente, ou voltar a agarrar uma situação do passado, vou em frente. Aí sim, já não depende do tempo, mas sim de nós para construirmos o que queremos. Aí já é o esforço que conta. Aí já ninguém pode culpar o tempo.
E é assim que eu venço o relógio: Dando-lhe a "volta", seguindo apenas em frente.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Fotografia



As fotografias são pequenas âncoras.


Sempre que uma é tirada, torna-se um marco da nossa história. Guarda um momento, uma sensação.


Ao olharmos fotografias há duas posições distintas que podemos tomar. Ou vemos e dizemos:


" Ahh, que bonita que eu era nessa altura. Aí não se via nem uma branca, pergunta ao teu pai"


( Isto como quem diz, gosto de me ver nessa fotografia )


ou:


" Ai que horrooor! Nessa altura usava repas e risca ao meio, que loucura. "


( Ou seja, não gosto de me ver nessa fotografia )


Quando as pessoas escolhem a primeira, nota-se logo uma certa nostalgia na observação. "Naquele tempo", "quando era novo" ... Como se insinuassem: " Pois, olhas para mim agora e vês um magricelas um pouco para o feio, mas já fui bonito e jeitoso. Naquela altura eram todas as garotas (...) ". E isso deixa-lhes um rasto de felicidade por saber que também já tiveram o seu momento.


Aquelas que optam pela segunda são ou os brincalhões ou os convencidos. Os com sentido de humor costumam opinar: "Eeei, que feio que eu era. Não sei como a tua mãe me quis. Agora que sou velho é que as tenho todas atrás de mim!". Os com o nariz a tocar o céu observam: "Ai tadinha de mim na altura. Não era feia, mas aquelas cores não me ficavam nada bem. Ainda bem que agora sou assim!", e fazem um olhar sexy com um sorrisinho como que dizendo, "estou a brincar. (...) ou não"


Acho engraçado ver jovens a utilizar as mesmas expressões que as pessoas que já têm uma idade quando olham para uma fotografia: "Tchii aí era quando eu usava aqueles colares com corações com purpurina cor de rosa que faziam barulhinhos sempre que eu ía aos pulinhos pela rua a cantar o excesso. Aí andava no 6º ano!". "Ui, a sério? Altamente. Em que ano estás agora?". "8º".


Faz-me rir, mas eu faço o mesmo. Não posso evitar de reparar que ocasionalmente sai-me um: "Uui, nessa altura jogava tanto ao UNO..." (nem 3 anos), ou um " Oh, aí ainda nem tinha a minha guitarra." (nem 1 ano)

É um pouco ridículo, mas inevitável. A verdade é que ainda não conheço suficientemente bem o Tempo para me dirigir a ele.


Deixo a fotografia que me inspirou para este texto, tirada num casamento á 3 anos.

Sempre que a vejo penso: "Ahah, aqui usava o cabelo ainda maior do que agora."


Há-de chegar o dia em que comente: " Sim, já nem me lembrava, foi nessa altura que escrevi aquele texto das fotografias."

Até lá, fico a conhecê-lo melhor, boas noites Sr. Tempo.